A Virgem Maria e as vãs associações com a Mitologia Pagã
Como todo Católico sabe: ateus, protestantes, espíritas, dentre outras seitas; sempre buscam diversas maneiras
de atacar a Santa Igreja Católica e seus Dogmas, em especial a Dignidade da
Santíssima Virgem Maria, erro no qual não cansam de insistir; uma forma bem arcaica e usada por alguns difamadores mais "sofisticados" é querer
demonstrar que o culto (hiperdulia) prestado à Virgem Maria, tem "raízes pagãs".
Uma coisa clara que temos que ter é que tais associações não passam
disso, uma livre associação de um elemento "A" com um "B";
na Simbólica Religiosa isso é inadmissível, pois se um símbolo primordial não
possui correspondente direto, não se trata de uma simbologia tradicional autêntica,
e sim, de apenas uma analogia acidental (GUÉNON, 1931).
Sendo que, existem aspectos acidentais entre simbologias religiosas, devido a estrutura comum da realidade; o néscio em sua soberba, já tira daí uma
continuidade milenar, magicamente; algo insustentável historicamente, por uma
documentação esclarecida; logicamente que tais "análogos" são puramente
acidentais e intencionais, pois levando em conta tal procedimento, também seria
lógico, nesta linha de raciocínio associativo, demostrar que a Santíssima Trindade e os símbolos cristãos primitivos também
"possuem" seus respectivos paralelos na Antiguidade Pagã; ocasionado
pelo mínimo denominador comum metafísico que as mais diversas Religiões possuem
seus fundamentos em dados da Realidade; por exemplo: associar a trinitariedade Cristã a trinitariedade Hindu (Brahma-Vishnu-Shiva); um absurdo para qualquer estudioso sério de religião comparada, pois só o que há de "análogo" é o símbolo isolado do número 3 (ELIADE, 1979).
No final das contas todo esse
discurso de "provar" o "paganismo da Mariolatria" cai num
reducionismo relativista, onde o Cristianismo se torna mais uma religião cheia
de símbolos que possuem semelhanças com as mais diversas tradições
religiosas; é uma invenção estratégica de propaganda difamatória devida originalmente pelos maçons e iluministas (séc. XIV ao XIX), que os protestantes repetiram na sua ânsia de atacar a Igreja Católica, sem se darem conta que seus colegas ateus maçons só queriam destruir o Cristianismo, utilizando-se de pseudo-cristãos que se associaram a propaganda difamatória; pobres dos protestantes, atacavam (e atacam) a Igreja de Cristo, sem se darem conta que fomentaram seus futuros inimigos ateus triunfantes no século XIX e XX, que buscaram destruir o que restava de Cristianismo na sociedade, em especial nos países nórdicos e anglo-saxões, onde essa fraternidade luciferina teve seu nascedouro e maior sucesso civilizacional (DAWSON, 2014).
Por conta do estudo da Simbólica, vemos que tais associações não passam
de empregos para argumentativa retórica. Peguemos exemplos: no caso do Mito de
Cibele (Deusa pagã Frígia, Mãe-Terra ou Magna
Mater dos Romanos) a Virgem Maria ser associada a essa divindade é um
absurdo abissal; sendo que primeiro, Maria jamais foi posta como
"Deusa" pela tradição cristã, e o dogma Theotókos nem beira a isso; pois, antes de tudo, Maria está
intimamente ligada a Maternidade Divina de ser Mãe do Verbo Encarnado, Jesus
Cristo, Deus Filho - Segunda Pessoa da Santíssima Trindade (OTT, 1966).
Segundo que Cibele é mãe do deus Átis, e esse era seu amante; logo, associar a Virgem Maria e Jesus Cristo nesta linha é mais que o absurdo dos absurdos; no mais, basta puxar uma pouco mais a meada, que teremos mais associações consequentes e interdependentes, no caso
que Átis é tido por "deus da morte e ressurreição", "deus dos
ciclos solsticiais - do inverno e primavera", ou seja, do "passado e
do futuro"; e forçar tais associações, leva ao falso raciocínio que Cristo é um
plágio dessa divindade pagã, coisa que é bem difundida pelos ateus e céticos
modernos; assim, como se vê, toda associação infame que se faz contra a Virgem Maria, de
um modo ou de outro recai - em consequência da própria íntima relação dela
para com as realidades do Evangelho - na pessoa de seu filho, e até na
identidade da Santíssima Trindade, por meio da União Hipostática (PENIDO, 1946).
A lista de associações feitas entre a Virgem Maria e outras divindades é
longa, e nos levaria muito longe; mas, não se precisa tanto esforço para deduzir
que desse exemplo acima, outros podem ser tirados, como os associacionismos a: Semíramis da antiga
Assur, mãe de Tamuz, também equivalente a Astarte dos Fenícios e Istar dos
Babilônios; Isis do Egito, mãe de Horus; Devaki dos Hindus, mãe de Krishna; e
por aí segue a coleção panteônica de correlatos fictícios.
Agora, a verdade que cremos e atestamos é que, muito antes de Constantino promulgar o Édito de Milão em 313 d. C. Pondo fim a perseguição do Império aos cristãos, abolindo a infame lei de Nero (64 d. C); e de Teodósio confirmar o Cristianismo como Religião oficial do Império, no Édito de Tessalônica de 380 d. C; os cristãos se reuniam para venerar os santos mártires e a Virgem Maria, como mostram estudos de historiadores como Peter Brown em seu: O Culto dos Santos: Sua Ascensão e Função no Cristianismo Latino (1981); Daniel-Rops em: A Igreja dos Apóstolos e do Martíres. In: História da Igreja de Cristo, vol. I; e Mircea Eliade em: História das Crenças e Ideias Religiosas, vol. II; e em evidências arqueológicas em catacumbas (Catacumba de Santa Priscila, 150 d. C) e manuscritos (Papyrus Rylands 470*); como também temos escritos dos Padres da Igreja, como: São Cirilo de Alexandria; São Clemente Romano; São João Crisóstomo; Santo Ambrósio; Santo Agostinho; Orígenes; Santo Hipólito; São João Damasceno; São Jerônimo, dentre outros**; que mostram de maneira farta exaltações a Virgem, orações e apologias a suas dignidades.
Abaixo, anexamos um excelente exemplo de testemunho da fé católica antiga, na pessoa do Padre da Igreja, São Cirilo de Alexandria (376 d. C -
444 d. C.) em seu Discurso pronunciado no Concílio de Éfeso (431 d. C.) sobre a Santíssima Virgem Maria:
Salve, cidade de Éfeso, mais formosa que os mares, porque em vez
dos portos da terra, marcaram encontro em ti os que são portos do céu! Salve,
honra desta região asiática semeada por todos os lados de templos, como
preciosas jóias, e consagrada, no presente, pelos benditos pés de muitos santos
Padres e Patriarcas! Com sua vinda, cumularam-te de toda bênção, porque onde
eles se congregam, aumenta e multiplica-se a santidade: religiosos fiéis, anjos
da terra, afugentam eles, com sua presença, todo satânico poder e toda afeição
pagã. Eles, repetimos, confundem toda heresia e são glórias de nossa fé
ortodoxa.
Salve, bem-aventurado João, apóstolo e evangelista, glória da
virgindade, mestre da honestidade. Salve, vaso puríssimo da temperança, a ti
virgem, confiou, na cruz, nosso Senhor Jesus Cristo a Mãe de Deus, sempre
virgem!
Salve, ó Maria, Mãe de Deus, virgem e mãe, estrela e vaso de
eleição! Salve, Maria, virgem, mãe e serva: virgem, na verdade, por virtude
daquele que nasceu de ti; mãe por virtude daquele que cobriste com panos e
nutriste em teu seio; serva, por aquele que amou de servo a forma! Como Rei,
quis entrar em tua cidade, em teu seio, e saiu quando lhe aprouve, cerrando
para sempre sua porta, porque concebeste sem concurso de varão, e foi divino teu
parto. Salve, Maria, templo onde mora Deus, templo santo, como o chama o
profeta Davi, quando diz: "O teu templo é santo e admirável em sua
justiça" (Sl 64). Salve, Maria, criatura mais preciosa da criação; salve,
Maria, puríssima pomba; salve, Maria, lâmpada inextinguível; salve, porque de
ti nasceu o sol da Justiça! Salve, Maria, morada da infinitude, que encerraste
em teu seio o Deus infinito, o Verbo unigênito, produzindo sem arado e sem
semente a espiga incorruptível! Salve, Maria, mãe de Deus, aclamada pelos
profetas, bendita pelos pastores, quando com os anjos cantaram o sublime hino
de Belém: "Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa
vontade" (Lc 2,14). Salve, Maria, Mãe de Deus, alegria dos anjos, júbilo
dos arcanjos que te glorificam no céu! Salve, Maria, Mãe de Deus: por ti
adoraram a Cristo os Magos guiados pela estrela do Oriente; salve, Maria, Mãe
de Deus, honra dos apóstolos! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem João Batista,
ainda no seio de sua mãe exultou de alegria, adorando como luzeiro a perene
luz! Salve, Maria, Mãe de Deus, que trouxeste ao mundo graça inefável, da qual
diz são Paulo: "apareceu a todos os homens a graça de Deus salvador"
(Tt 2,1). Salve, Maria, Mãe de Deus, que fizeste brilhar no mundo aquele que é
luz verdadeira, a nosso Senhor Jesus Cristo, que diz em seu Evangelho: "eu
sou a luz do mundo!" (Jo 8,12). Deus te salve, Mãe de Deus, que iluminaste
aos que estavam em trevas e sombras de morte; porque o povo que jazia nas
trevas viu uma grande luz (Is 9, 2), uma luz não outra senão Jesus Cristo nosso
Senhor, luz verdadeira que ilumina todo homem que vem a este mundo (Jo 1,9).
Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem se apregoa nos Evangelhos: "bendito o
que vem em nome do Senhor!" (Mt 21,9), por quem se encheram de igrejas
nossas cidades, campos e vilas ortodoxas! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem
veio ao mundo o vencedor da morte e o destruidor do inferno! Salve, Maria, Mãe
de Deus, por quem veio ao mundo o autor da criação e o restaurador das
criaturas, o Rei dos céus! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem floresceu e
refulgiu o brilho da ressurreição! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem luziu o
sublime batismo de santidade no Jordão! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem o
Jordão e o Batista foram santificados e o demônio foi destronado! Salve, Maria,
Mãe de Deus, por quem é salvo todo espírito fiel! Salve, Maria, Mãe de Deus, -
pois acalmaste e serenaste os mares para que pudessem nossos irmãos
cooperadores e pais e defensores da fé, serem conduzidos, com alegria e júbilo
espiritual, a esta assembléia de entusiásticos defensores de tua honra!
Também aquele que, levando cartas de perseguição, sendo
derrubado pela luz do céu no caminho de Damasco, falou sobre ti e confirmou
para o mundo a fé na Trindade consubstancial, de um só Senhor, de um só
batismo; de um só Pai, um só Filho, um só Espírito Santo; da substância
inseparável e simplicíssima; da divindade incompreensível do Senhor Deus de
Deus, Luz de Luz, Esplendor da Glória, que nasceu de Maria Virgem, conforme o anúncio
do Arcanjo: "Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo, o Espírito Santo
descerá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com sua sombra, e por
isso o santo que de ti nascer será chamado Filho de Deus vivo" (Lc 1,35).
Não somente o sabemos pelo arcanjo Gabriel; também Davi, no vaticínio que canta
diariamente a Igreja, nos diz: "O Senhor me disse: és meu filho; no dia de
hoje te gerei" (Sl 2,7). Já o sábio Isaías, filho do profeta Amós, profeta
nascido de profeta, o predissera: "Eis que a virgem conceberá, e dará à
luz um filho e seu nome será Emanuel, que significa Deus conosco" (Mt
1,23).
Por isso todos os que formos fieis às Escrituras, seguindo os caminhos de Paulo, ouvindo as vozes dos profetas clamar-te-ão Bem aventurada. Todos os que formos seguidores dos Evangelhos permaneceremos como disse o profeta: seremos como “oliveira fértil na casa de Deus” (Sl 51), glorificando a Deus Pai Todo Poderoso, a seu Filho UNIGÊNITO que nasceu de Maria e ao vivificante Espírito Santo, que se comunica a todos na vida; submissos aos fidelíssimos imperadores, honrando as rainhas, discretas e santas virgens, no seu amor à fé ortodoxa de Cristo de Jesus, nosso Senhor a quem se deve a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
Referências:
René Guenón. Le Symbolisme de la Croix. Paris, 1931.
Christopher Dawson. A Divisão da Cristandade. É Realizações, 2014.
Pe. M. T.-L. Penido. A Função da Analogia em Teologia Dogmática. Editora Vozes, 1946.
Mircea Eliade. Imagens e Símbolos, Editora Arcádia, 1979.
Ludwig Ott. Manual de Teología Dogmática. Editorial Herder, 1966.
Alfred Stuiber; Berthold Altaner. Patrologia. Edições Paulinas. 1972.
D. Cirilo Folch Gomes. Antologia dos Santos Padres. Edições Paulinas, 1989.
Links:
*Prayer to Mary (Greek Papyrus 470):
https://www.digitalcollections.manchester.ac.uk/view/MS-GREEK-P-00470/1
**Fathers of the Church: https://www.newadvent.org/fathers/

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