Simbólica Tradicional na Catedral de Santo Antônio de Campo Maior-PI
A semi-cúpula azul celeste (abside) do altar-mor, carrega o símbolo dos arcanos superiores, a esfera celestial contida na figura semicircular da "cúpula quebrada" – o transcendente manifesto em contato com o imanente telúrico – próprio das bases cúpulares (tanto de catedrais góticas ou basílicas orientais); no caso do altar-mor, a semi-cúpula tem significado intimamente ligado com o Mistério da Encarnação do Verbo Divino, o crucifixo pendente no alto é sinal da dialética da Revelação do Cristo, pois pende no alto sob a abside que representa a abertura da divindade (forma semiesférica 1/4 da esfericidade perfeita) ao mundano (forma semicircular pentagonal, relativa as quatro essências naturais mais a quintessência etérea: 4+1=5).
Esse tipo de simbolismo é próprio da Revelação Cristã, mais propriamente, como René Guénon em seus estudos aponta: está ligado a raiz simbólica do Símbolo da Cruz (Crux); nos levando ao entendimento da Encarnação como a religação da terra ao céu – nova criação pela redenção; Deus redime a criação por meio da Paixão do Filho Unigênito, o qual retorna ao Pai em sua Ascensão.
No teto próximo ao coro e sobre o altar, temos o símbolo do octograma: estrela de oito pontas, formada pela sobreposição de dois quadrados iguais; o quadrado tem seu simbolismo ligado a imanência, a estrutura cósmica dos quatro elementos ou essências naturais; essa estrela octogonal no teto simboliza a elevação do plano cósmico terrestre e temporal a sua plena realização, pela transfiguração (duplicação) da matéria quadriforme ao nível superior inerente a própria criação. Interessante notar que a simbólica do octograma está presente na arquitetura e iconografia ortodoxa grega e russa; o significado de um símbolo com oito raios, por tradição, foi entendido como: sentido de eternidade, estabilidade inabalável e uma saída deste mundo. Também um octograma é sinal: do Paraíso, da Jerusalém Celestial e da Transfiguração final.
A Redenção Universal pelo sacrifício do calvário (atualizado pela Santa Missa) propicia essa transfiguração ou conversão da criação a sua origem edênica, prova disso é o próprio milagre da Transubstanciação, como aponta Nigel Pennick:
"Nas construções atuais das igrejas, os quatro cantos do quadrado duplo marcam os quatro alicerces da igreja, como pedras angulares sobre as quais se baseia a construção material. A mais oriental das angulares (45°) representa Cristo. O seu centro é o foco onde se funda um altar e onde, todos os dias, mediante a celebração da Missa, damos crédito aos cristãos, Cristo está presente em forma de hóstia e de vinho".
Tal simbólica revela o projeto escatológico de divinização do homem pela promessa da ressurreição e glorificação do corpo junto a alma imortal na consumação dos séculos. Também acredita-se que o símbolo de oito pontas simboliza os sete períodos – ou as "sete idades" tratadas por Santo Agostinho em sua: De Civitate Dei – na história da humanidade; já o oitavo raio é a vida do próximo século. Isto é, o advento da Parusia e do Juízo Final.
Referências:
PENNICK, Nigel. Geometria Sagrada: Simbolismo e intenção nas estruturas religiosas.
GUÉNON, René. O Simbolismo da Cruz.
______________. Símbolos fundamentais da Ciência Sagrada.


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